ANIVERSÁRIO DA PARÓQUIA

Aniversário da Paróquia no próximo dia 2 de Fevereiro. Celebração às 19h30 na Igreja. Jantar no Centro Paroquial. Inscrições para o jantar na portaria do Convento (Telf. 226165760).

Madrid 2011

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

5ª-feira da semana III do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 1,18-24) feito por

Papa Bento XVI

(copyright trad. © L'Osservatore Romano)

São José, modelo de escuta

O silêncio de São José é um silêncio pleno de contemplação do mistério de Deus, numa atitude de disponibilidade total à vontade divina. Por outras palavras, o silêncio de São José não revela um vazio interior, pelo contrário revela a penitude da fé que transporta no seu coração e que guia cada um dos seus pensamentos e cada uma das suas acções. Um silêncio que leva José, em união com Maria, a guardar a Palavra de Deus conhecida através das Sagradas Escrituras, confrontando-o permanentemente com a vida de Jesus; um silêncio tecido na oração constante, oração de louvor ao Senhor, de adoração da Sua Vontade e de confiança sem reservas na providência.

Deixemo-nos «contaminar» pelo silêncio de S. José! Precisamos tanto, neste mundo tantas vezes demasiado barulhento, que não favorece o recolhimento e a escuta da voz de Deus. Neste tempo de preparação do Natal, cultivemos o recolhimento interior para acolhermos e conservarmos Jesus nas nossas vidas.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

4ª-feira da semana III do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 1,1-17) feito por

Rupert de Deutz (c. 1075-1130), monge beneditino

De Divinis Officiis, 3, 18 (trad. de Lubac, Catholicisme, p. 333)

"Na tua posteridade serão abençoadas todas as nações da Terra" (Gn 28,14)

Em São Mateus lemos a genealogia de Cristo. Este costume tradicional da Santa Igreja tem bons e misteriosos motivos. Verdadeirmente este texto apresenta-nos a escada que Jacob viu de noite, durante o seu sono(Gn 28,11s). Apoiado no alto dessa escada, que tocava os céus, o Senhor apareceu a Jacob e prometeu-lhe a herança da terra. [...] Ora, sabemos que «a sua vinda é-nos apresentada de forma simbólica» (1Co 10,11). Então o que prefigura essa escada, senão a linhagem da qual Jesus deveria nascer, linhagem que o santo evangelista, com um sopro divino, faz subir, de maneira que chegasse a Jesus passando por José? E a este José o Senhor confiou o Menino. Pela «Porta do Céu» (Gn 28,17)[...], quer dizer, pela bem-aventurada Virgem, sai Nosso senhor a chorar, feito criança por nós. [...] No seu sono, Jacob ouviu que o Senhor lhe dizia: «Na tua posteridade serão abençoadas todas as nações da terra» e este facto realizou-se com o nascimento de Cristo.

Era o que o evangelista tinha em vista quando,na genealogia de Jesus, inseriu Rahab, a prostituta, e Rute, a moabita; porque efectivamente viu que Cristo não encarnou apenas para os judeus, mas também para os pagãos, Ele que Se dignou receber os anciãos consagrados entre os pagãos. Por conseguinte, vindos dos dois povos, judeus e pagãos, como os dois lados da escada, os anciãos colocados em diferentes degraus recebem Cristo Senhor que desce do alto dos céus. E todos os santos anjos descem e sobem por esta escada, por onde os eleitos são descidos, para receberem humildemente a fé na encarnação do Senhor, sendo depois elevados a fim de contemplarem a glória da Sua divindade.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

6ª-feira da semana II do Advento - reflexão...

Comentário ao Evangelho do dia feito por
Clemente de Alexandria (150-cerca 215), teólogo

João Baptista convida-nos à salvação

Não é estranho, meus amigos, que Deus nos exorte sempre à virtude, e que nos furtemos a esse socorro, que devolvamos a salvação? Não nos convida João também à salvação, não é todo ele uma voz que nos exorta? Perguntemos-lhe pois: «Quem és tu entre os homens, e donde vens?» Ele não dirá que é Elias e negará que é o Cristo, mas confessará que é uma voz que grita no deserto. (Jo 1,20s). Quem é pois João? Para tomar uma imagem, permiti-me dizer: uma voz do Verbo, da Palavra de Deus, que nos exorta gritando no deserto...: »Aplanai os caminhos do Senhor» (Mt 1,3). João é um percursor e a sua voz é precursora da Palavra de Deus, voz que encoraja e predispõe à salvação, voz que nos exorta a procurar a herança do céu.

Graças a esta voz «a mulher estéril e desamparada não será mais sem filhos» (Is 54,1). A voz de um anjo tinha-me anunciado esta gravidez; essa voz era também um percursor do Senhor, que trazia a boa notícia à mulher que não tinha engravidado (Lc 1,19), assim como João na solidão do deserto. É portanto pela voz do Verbo que a mulher estéril engravida na alegria e que o deserto produz frutos. Estas duas vozes, percursoras do Senhor, a do anjo e a de João, comunicam-me a salvação neles oculta, de modo que, depois da manifestação deste Verbo, colhamos o fruto da fecundidade, a vida eterna.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

3ª-feira da semana II do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia feito por

São Siluane (1866-1938), monge ortodoxo

Escritos

«É da vontade de vosso Pai [...] que não se perca um só destes pequeninos»

Se os homens soubessem o que é o amor do Senhor, em multidão acorreriam junto de Cristo, e a todos Ele acalentaria com a sua graça. A sua misericórdia é inexprimível. O Senhor ama o pecador que se arrepende, e com ternura o aperta contra seu peito: «Onde estavas, meu filho? Há tanto tempo que te esperava» (cf. Lc 15,20). O Senhor chama a si todos os homens pela voz do Evangelho, e a sua voz ecoa no mundo inteiro:

«Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, que Eu hei-de aliviar-vos (Mt 11, 28). Vinde e bebei a água viva (Jo 7,37). Vinde e sabei que vos amo. Se não vos amasse, não vos chamaria. Não posso suportar que nem uma só de minhas ovelhas se perca. Ainda que seja por uma apenas, o pastor sobe às montanhas e por todo o lado a procura. Vinde pois a mim, minhas ovelhas. Criei-vos e amo-vos. O amor que tenho por vós fez-Me vir à Terra, e tudo suportei e sofri por vossa salvação. Quero que conheçam o meu amor e que digam como os apóstolos no monte Tabor: «Mestre, bom é estarmos aqui contigo»» (Mc 9,5) [...]

Atraíste a Ti as almas dos santos, Senhor, e elas correm até Ti como rios silenciosos. O espírito dos santos ligou-se a Ti, e sobre Ti se lança, Senhor, nossa luz e alegria. O coração dos teus santos fortaleceu-se no teu amor, Senhor, e não pode esquecer-Te por um instante que seja, nem mesmo no sono, porque doce é a graça do Espírito-Santo.

sábado, 6 de dezembro de 2008

II Domingo do Advento - reflexão...


Beato Guerric d'Igny (c. 1080-1157), abade cisterciense

I Sermão para o Advento (Trad. Cf Bouchet, Leccionário, p. 36 e Brésard, 2000 anos B, p. 20)

«Uma voz brada no deserto: Preparai os caminhos do Senhor»

«Preparai os caminhos do Senhor.» Irmãos, os caminhos do Senhor que nos pedem que preparemos preparam-se percorrendo-os, e é preparando-os que os percorremos. Mesmo que já tenhais progredido muito no caminho, tendes ainda assim de o preparar, a fim de que, do ponto aonde chegastes, avanceis sempre mais. E assim, a cada passo que dais, o Senhor cujo caminho preparais vem ao vosso encontro, sempre novo, sempre maior. É, pois, com razão que o justo reza dizendo: «Instruí-me, Senhor, nos Vossos mandamentos, e os guardarei com fidelidade» (Sl 118, 33). Talvez se lhe tenha chamado «caminho eterno» porque, se é verdade que a Providência previu o caminho de cada um e lhe fixou um termo, também é certo que a bondade daquele para o Qual avançais não tem limites. É por isso que, ao chegar, o viajante sábio e decidido pensa que está apenas no princípio (Fil 3, 13); esquecendo o que tem atrás de si, dirá todos os dias: «Hoje começo». [...]

Mas nós que falamos de progresso neste caminho, praza ao céu que tenhamos, pelo menos, começado! Em minha opinião, quem se pôs a caminho já está no bom caminho; mas é necessário que tenhamos realmente começado, que tenhamos «encontrado o caminho da cidade habitável», como diz o salmo (106, 4). Porque «são poucos os que o encontram», diz a própria Verdade (Mt 7, 14). E numerosos os que vagueiam na solidão. [...]

E Tu, Senhor, preparaste-nos um caminho, basta que consintamos em o percorrer. Tu ensinaste-nos o caminho da Tua vontade quando nos disseste: «Este é o caminho, andai por ele» (Is 30, 21). Trata-se do caminho que o profeta tinha prometido: «O deserto será atravessado por um caminho que se chamará caminho sagrado; nenhum ser impuro passará por ele (Is 35, 8). «Fui jovem, agora sou velho» (Sl 36, 25) e, se bem me lembro, nunca vi seres impuros percorrerem o Teu caminho; embora tenha visto alguns puros que conseguiram percorrê-lo até ao fim.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

Natal diferente


Amigos,

O IOL este ano fez questão de apoiar o DIFERENÇAS (associação da Leonor) através de uma acção, embuída de espírito natalício, que permite que cada um de nós possa ajudar o Centro sem gastar mais que uns segundos.

Basta ir a http://www.nataldiferente.iol.pt/ e deixar uma mensagem de Boas Festas na Árvore de Natal Solidária.Todas as mensagens são, automaticamente, convertidas em estrelas e poderão ser vistas no site por todos os visitantes.
Por cada estrela a brilhar o IOL irá oferecer 0,10€ ao DIFERENÇAS. Peço por isso, a todos, que cliquem no link e que deixem a vossa mensagem de Boas Festas. É rápido, fácil e muito solidário!

Se puderem, por favor divulguem.

Um Feliz Natal a todos

Bita


Divulguem sff

6ª-feira da semana I do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 9,27-31) feito por

Santo Anselmo (1033-1109), monge, bispo, Doutor da Igreja

Proslogion 1 (trad. Orval)

«O meu coração pressente os Teus dizeres: 'Procurai a Minha Face!' [...] Não escondais de mim o Vosso Rosto» (Sl 26, 8)

Fala, coração, abre-te por completo e diz a Deus: «É a Tua face, Senhor, que eu procuro» (Sl 26, 8). E Tu, Senhor meu Deus, ensina ao meu coração onde e como há-de procurar-Te, onde e como há-de encontrar-Te. Senhor, se não estás aqui, se estás ausente, onde Te hei-de procurar? E, se estás presente em toda a parte, por que motivo não consigo ver-Te? É certo que habitas uma luz inacessível. Mas onde está a luz inacessível e como atingirei essa luz inacessível? Quem me conduzirá a ela, quem me mergulhará nela, para que nela Te veja? E em seguida, com base em que sinais e de que lado Te procurarei? Nunca Te vi, Senhor meu Deus, não conheço o Teu rosto. Que pode fazer, Senhor altíssimo, que pode fazer este exilado longe de Ti? Que pode fazer o Teu servo, anseia pelo Teu amor e foi rejeitado para longe da Tua face? Aspira a ver-Te e o Teu rosto esconde-se-lhe por completo. Deseja ir ter conTigo e a Tua morada é-lhe inacessível. Gostaria de Te encontrar e não sabe onde estás. Empreende procurar-Te e ignora o Teu rosto.

Senhor, Tu és o meu Deus, és o meu Senhor, e nunca Te vi. Tu criaste-me e recriaste-me, Tu me proveste de todos os bens que possuo e ainda não Te conheço. Tu me fizeste a fim de que Te visse e ainda não realizei o meu destino. Miserável sorte a do homem que perdeu aquilo para o qual foi criado. [...] Buscar-Te-ei com o meu desejo e desejar-Te-ei na minha busca. Encontrar-Te-ei amando-Te e amar-Te-ei quando Te encontrar.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

5ª-feira da semana I do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia feito por

S. João da Cruz (1524-1591), carmelita, doutor da Igreja

Conselhos e Máximas (n° 307-319 in trad. Oeuvres spirituelles, Seuil 1947, p. 1226)

Escutar para pôr em prática

O Pai celeste disse uma única palavra: é o Seu Filho. Disse-a eternamente e num eterno silêncio. É no silêncio da alma que Ele se faz ouvir. Falai pouco e não vos metais em assuntos sobre os quais não fostes interrogados.

Não vos queixeis de ninguém; não façais perguntas ou, se for absolutamente necessário, que seja com poucas palavras. Procurai não contradizer ninguém e não vos permitais uma palavra que não seja pura.

Quando falardes, que seja de modo a não ofender ninguém e não digais senão coisas que possais dizer sem receio diante de toda a gente. Tende sempre paz interior assim como uma atenção amorosa para com Deus e, quando for necessário falar, que seja com a mesma calma e a mesma paz.

Guardai para vós o que Deus vos diz e lembrai-vos desta palavra da Escritura: "O meu segredo é meu" (Is 24,16)...

Para avançar na virtude, é importante calar-se e agir, porque falando as pessoas distraem-se, ao passo que, guardando o silêncio e trabalhando, as pessoas recolhem-se.

A partir do momento em que aprendemos com alguém o que é preciso para o avanço espiritual, não é preciso pedir-lhe que diga mais nem que continue a falar, mas pôr mãos às obras, com seriedade e em silêncio, com zelo e humildade, com caridade e desprezo de si mesmo.

Antes de todas as coisas, é necessário e conveniente servir a Deus no silêncio das tendências desordenadas, bem como da língua, a fim de só ouvir palavras de amor.

quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

4ª-feira da semana I do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 15,29-37) feito por

Vaticano II

Constituição sobre a Sagrada Liturgia «Sacrosanctum Concilium», § 6.8

"Cada vez que comeis este pão e bebeis deste cálice, vós proclamais a morte do Senhor até que ele venha" (1 Co 11,26)

Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, assim também Ele enviou os Apóstolos, cheios do Espírito Santo, não só para que, pregando o Evangelho a toda a criatura, anunciassem que o Filho de Deus, pela sua morte e ressurreição, nos libertara do poder de Satanás e da morte e nos introduzira no Reino do Pai, mas também para que realizassem a obra de salvação que anunciavam, mediante o sacrifício e os sacramentos, à volta dos quais gira toda a vida litúrgica. Pelo Baptismo são os homens enxertados no mistério pascal de Cristo: mortos com Ele, sepultados com Ele, com Ele ressuscitados; recebem o espírito de adopção filial que «nos faz clamar: Abba, Pai» (Rom. 8,15), transformando-se assim nos verdadeiros adoradores que o Pai procura. E sempre que comem a Ceia do Senhor, anunciam igualmente a sua morte até Ele vir.

Pela Liturgia da terra participamos, saboreando-a já, na Liturgia celeste celebrada na cidade santa de Jerusalém, para a qual, como peregrinos nos dirigimos e onde Cristo está sentado à direita de Deus, ministro do santuário e do verdadeiro tabernáculo; por meio dela cantamos ao Senhor um hino de glória com toda a milícia do exército celestial, esperamos ter parte e comunhão com os Santos cuja memória veneramos, e aguardamos o Salvador, Nosso Senhor Jesus Cristo, até Ele aparecer como nossa vida e nós aparecermos com Ele na glória. (Referências bíblicas : Mc 16,15; Rm 6,4; 8,15; Jo 4,23; 1Co 11,26; Ap 21,2; He 8,2; Col 3,4)

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

3ª-feira da semana I do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 10,21-24) feito por

Cardeal John Henry Newman (1801-1890), presbítero, fundador de comunidade religiosa, teólogo

"Esperando por Cristo", Sermões Pregados em Várias Ocasiões, nº 3

"Felizes os olhos que vêem o que vós vedes"

Durante séculos, antes que Jesus tivesse vindo à terra, todos os profetas, um após outro, estiveram no seu posto, no alto da torre; todos o esperavam e perscrutavam a sua vinda através da obscuridade da noite. Vigiavam sem cessar para surpreender o primeiro brilho da aurora...: "Deus, a ti, meu Deus, eu busco desde a aurora. A minha alma tem sede de ti, como terra árida, esgotada, sem água" (Sl 62,2)... "Ah! se tu rasgasses os céus e descesses! As montanhas fundiriam na tua presença, como se o fogo as atingisse... Desde as origens do mundo que os olhos nada puderam ver, meu Deus, das maravilhas que preparaste para aqueles que, esperando, estiveram unidos a ti" (Is 64,1; 1Co 2,9).

Contudo, se alguma vez houve homens que tiveram o direito de se apegarem a este mundo e dele não se desinteressarem, foram os servos de Deus; a terra tinha-lhes sido prometida como herança e, de acordo com as próprias promessas do Altíssimo, ela devia ser a sua recompensa. Mas a nossa verdadeira recompensa diz respeito ao mundo que há-de vir... E também eles, esses grandes servos de Deus, ultrapassaram o dom terrestre de Deus, apesar do seu valor, para se apegarem a promessas mais belas ainda; em nome desse esperança, sacrificaram aquilo cuja posse já detinham. Não se contentaram como nada menos do que a plenitude do seu Criador; procuraram ver o rosto do seu Libertador. E, se fosse preciso que, para isso, a terra se quebrasse, os céus se rasgassem, os elementos do mundo fundissem para que, enfim, ele aparecesse, então, mais vale que tudo se desfaça, antes que continuar a viver sem ele! Tal era a intensidade do desejo dos adoradores de Deus em Israel, que esperavam aquele que havia de vir... A sua perseverança prova que havia alguma coisa a esperar.

Também os apóstolos, depois de o seu Mestre ter vindo e regressado aos Céus, não ficaram atrás dos profetas na acuidade da sua percepção nem no ardor das suas aspirações. O milagre da espera na perseverança continuou.

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

2ª-feira da semana I do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 8,5-11) feito por

Eusébio de Cesareia (c. 265-340), bispo, teólogo, historiador

Demonstração evangélica, II, 3, 35 (trad. Sr Isabelle de la Source, Lire la Bible, t. 6, p. 197 ; cf SC 228)

"Muitos virão do oriente e do ocidente e tomarão lugar... no festim do Reino dos céus"

Muitos são os testemunhos da Escritura que mostram que as nações pagãs não receberam menos graças do que o povo judeu. Se os judeus... participam da bênção de Abraão, o amigo de Deus, porque são seus descendentes, recordemos que Deus se tinha comprometido a dar aos pagãos uma bênção semelhante não só à de Abraão, mas ainda às de Isaac e de Jacob. Com efeito, Ele predisse explicitamente que todas as nações serão abençoadas de igual forma e convida todos os povos a uma só e mesma alegria com os ditosos amigos de Deus: "Nações, alegrai-vos com o seu povo" (Dt 32,43) e também: "Os príncipes dos povos reuniram-se com o Deus de Abraão" (Sl 46,10).

Se Israel se glorifica do Reino de Deus, dizendo que ele é a sua herança, os oráculos divinos mostram-lhe que Deus reinará também sobre os outros povos: "Ide dizer às nações: O Senhor é rei" (Sl 95,10) e também: "Deus reina sobre os pagãos" (Sl 46,91). Se os judeus foram escolhidos para serem os sacerdotes de Deus e lhe prestarem culto..., a palavra de Deus prometeu comunicar às nações o mesmo ministério: "Rendei ao Senhor, ó família dos povos, rendei ao Senhor glória e honra. Apresentai oferendas, entrai nos seus átrios" (Sl 95,7-8)...

E se, outrora, num primeiro tempo, "a porção do Senhor foi Jacob, seu povo, e Israel a sua parte da herança" (Dt 32,9 LXX), num segundo tempo, a Escritura afirma que todos os povos serão dados em herança ao Senhor, segundo a palavra do Pai: "Pedi e dar-vos-ei as nações como herança" (Sl 2,8). A profecia anuncia ainda que Ele "dominará" não só em Israel, mas "do mar até ao mar e até aos confins da terra; todos os países o servirão e nele serão abençoadas todas as tribos da terra" (Sl 71,8-11). Foi assim que o Deus do universo "fez conhecer a sua salvação diante de todas as nações" (Sl 97,2).

sábado, 29 de novembro de 2008

I Domingo do Advento - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Marcos 13,33-37) feito por

S. Pascácio Radberto (? - c. 849), monge beneditino

Comentário sobre o evangelho de Mateus 11, 24 ; PL 120, 799 (trad. Delhougne, Les Pères commentent, p. 14)

"Tendo cuidado e vigiai: porque não sabeis quando virá o tempo"

É preciso termos sempre em consideração uma dupla vinda de Cristo: uma, quando Ele vier e nós tivermos de prestar contas de tudo o que tivermos feito; a outra, quotidiana, quando Ele visita sem cessar a nossa consciência e vem a nós a fim de nos encontar prontos por ocasião da sua vinda definitiva. Com efeito, para que me serve conhecer o dia do juizo, se estou consciente de tantos pecados? Saber que o Senhor vem, se Ele não vier primeiro ao meu coração, se não entrar no meu espírito, se Cristo não viver e não falar em mim? Então sim, é bom que Cristo venha se, antes que tudo, Ele vive em mim e eu nele. Para mim, é como se a segunda vinda se tivesse já realizado, uma vez que o desaparecimento do mundo já ocorreu em mim, porque de certa forma posso dizer: "O mundo está crucificado para mim e eu para o mundo" (Ga 6,14).
Reflecti também sobre esta palavra de Jesus: "Muitos virão em meu nome" (Mt 24,5). Só o Anticristo se apodedra deste nome, ainda que isso seja para nos enganar... Em nenhuma passagem da Escritura encontrareis que o Senhor tenha declarado: "Eu sou Cristo". Porque lhe bastava mostrar que o era, pelos seus ensinamentos e pelos seus milagres, uma vez que o Pai agia com Ele. O ensino da sua palavra e o seu poder gritavam: "Eu sou Cristo", com mais força do que milhares de vozes teriam gritado. Portanto, não sei se podereis achar que Ele o tenha dito em palavras, mas mostrou-o "cumprindo as obras do Pai" (Jo 5,36) e ministrando um ensino impregnado de piedade filial. Os falsos messias, que são disso desprovidos, só podem usar os seus discursos para suportar as suas pretensões enganadoras.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

6ª-feira da semana XXXIV do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 21,29-33) feito por

São Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja

Sermão nº 74 sobre o Cântico dos cânticos

«Quando virdes acontecer estas coisas, sabereis que está próximo o Reino de Deus»

«É Nele, realmente, que vivemos, nos movemos e existimos» (Act 17, 28). Feliz daquele que vive por Ele, que é movido por Ele, em quem Ele é a existência. Perguntar-me-eis: se não se conseguem descobrir os sinais da Sua vinda, como foi que eu soube que Ele estava presente? É que Ele é vivo e eficaz (Heb 4, 12); mal entrou em mim, despertou a minha alma adormecida. Vivificou-me, enterneceu-me e animou-me o coração, que estava adormecido e duro como uma pedra (Ez 36, 26). Começou por arrancar e sachar, construir e plantar, regar a minha secura, dar luz às minhas trevas, abrir aquilo que estava fechado, inflamar a minha frieza, e também aplainar os cumes e nivelar os terrenos escarpados (Is 40, 4) da minha alma, para que ela pudesse dizer: «Bendiz, ó minha alma, o Senhor, e toda a minha vida interior o Seu santo nome» (Sl 102, 1).

O Verbo esposo veio a mim mais do que uma vez, mas sem dar sinais da Sua irrupção. [...] Foi pelo movimento do meu coração que me apercebi de que Ele ali estava. Reconheci a Sua força e o Seu poder, porque senti apaziguarem-se-me as más tendências e as paixões. A discussão e a acusação aos meus sentimentos obscuros levou-me a admirar a profundidade da Sua sabedoria. Experimentei a Sua doçura e a Sua bondade pelo veloz progresso da minha vida. E, vendo renovar-se-me o homem interior (2Cor 4, 16), o meu espírito no mais fundo de mim mesmo, descobri um pouco da Sua beleza. Contemplando por fim tudo isto, estremeci diante da imensidão da Sua grandeza.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

5ª-feira da semana XXXIV do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia feito por

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (Norte de África) e doutor da Igreja

Discurso sobre o Salmo 95

"Erguei-vos e levantai a cabeça, porque aproxima-se a vossa redenção"

"Então, todas as árvores da floresta saltarão de alegria diante do Senhor, porque Ele vem para julgar a terra" (Sl 95,12-13). O Senhor veio uma primeira vez e virá de novo. Veio uma primeira vez "sobre as núvens" (Mt 26,64) na sua Igreja. Que núvens o trouxeram? Os apóstolos, os pregadores... Veio uma primeira vez trazido pelos seus pregadores e encheu toda a terra. Não ponhamos resistência à sua primeira vinda se não queremos temer a segunda...

Que deve pois fazer o cristão? Aproveitar este mundo mas não o servir. Em que consiste isso? "Possuir como se não se possuisse". É o que diz S. Paulo: "Irmãos, o tempo é breve... Desde já, aqueles que choram seja como se não chorassem, os que são felizes, como se o não fossem, os que compram, como se nada possuissem, os que tiram proveito deste mundo, como se não se aproveitassem dele. Porque este mundo, tal como o vemos, vai passar. Quereria ver-vos livres de toda a preocupação" (1Co 7,29-32). Quem está livre de toda a preocupação espera com segurança a vinda do seu Senhor. Será que se ama o Senhor quando se receia a sua vinda? Meus irmãos, não nos envergonhamos disso? Amamo-lo e receamos a sua vinda? Amamo-lo verdadeiramente ou amamos mais os nossos pecados? Odiemos então os nossos pecados e amemos Aquele que há-de vir...

"Todas as árvores da foresta rejubilarão à vista do Senhor", porque Ele veio uma primeira vez... Veio uma primeira vez e regressará para julgar a terra; então encontrará cheios de alegria os que tiverem acreditado na sua primeira vinda.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

4ª-feira da semana XXXIV do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia feito por

Jean Tauler (vers 1300-1361), dominicano em Estrasburgo

Sermão 21, para a Ascensão

"Sereis detestados por causa do meu nome, mas nem um cabelo da vossa cabeça se perderá"

Jesus prometia sempre a paz aos seus discípulos, antes da sua morte e após a sua ressurreição, sempre a paz (Jo 14,27; Lc 24,36). Os discípulos nunca obtiveram esta paz vinda do exterior mas acolheram a paz na luta e o amor no sofrimento; e na morte encontraram a vida. E encontraram sempre um jubiloso triunfo quando, antes dessa morte, os interrogavam, julgavam, condenavam. Eram verdadeiras testemunhas.

Sim, há muitos homens que estão totalmente cheios de mansidão no corpo e na alma, a ponto de estarem penetrados dela até à medula e até às veias, mas, quando chegam o sofrimento, as trevas, a dispersão interior, já não sabem para onde ir. Param de repente e daí não lhes vem nada. Quando chegarem os terríveis furacões, o deserto interior, a tentação exterior do mundo, da carne ou do Inimigo, aquele que souber passar através disso encontrará a paz profunda que ninguém lhe poderá arrebatar. Mas quem não tomar este caminho fica para trás e nunca saboreará a verdadeira paz. Eis quais são as verdadeiras testemunhas de Cristo.

terça-feira, 25 de novembro de 2008

3ª-feira da semana XXXIV do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 21,5-11) feito por

Orígenes (c.185-253), padre e teólogo

Comentário ao Evangelho de João, 10,39; PG 14, 369s

«Não sabeis que sois templo de Deus?» (1Cor 3,16)

«Jesus diz aos judeus: 'Destruí este Templo, e em três dias eu o levantarei [...]' Ele falava do templo que é o seu corpo» (Jo 2,21) [...] Alguns pensam que é impossível aplicar ao corpo de Cristo tudo o que é dito acerca do Templo; pensam que se chamou templo ao seu corpo porque, tal como o primeiro Templo tinha sido habitado pela glória de Deus, também o Primogénito de todas as criaturas é a imagem e a glória de Deus (Cl 1,15), e que é justo, portanto, que o seu Corpo, a Igreja, seja chamado templo de Deus, porque contém a imagem da divindade [...]. Aprendemos com Pedro que a Igreja é o corpo e a casa de Deus, construída com pedras vivas, uma casa espiritual em função de um sacerdote santo (1 Pe 2,5).

Possamos então considerar Salomão, o filho de David que construiu o Templo, como uma prefiguração de Cristo: foi depois da guerra, numa altura de grande paz, que Salomão construiu um Tempo à glória de Deus na Jerusalém terrestre [...]. De facto, quando todos os inimigos de Cristo estiverem «colocados debaixo dos seu pés», e de a morte, «o último inimigo», ter sido destruído (1 Cor 15,25-26), então a paz será perfeita, então Cristo será «Salomão», cujo nome significa «pacífico»; n'Ele se cumprirá esta profecia: «vivo [...] entre aqueles que odeiam a paz, [mas] lhes falo de paz» (Sl 119,6-7). Então cada uma das pedras vivas, segundo o mérito da sua vida presente, será uma pedra do templo: um, apóstolo ou profeta, que ficará nas fundações, levará consigo as pedras que ficarão por cima; um outro, vindo a seguir àqueles que ficam nas fundações, ele próprio conduzido pelos profetas, levará por sua vez consigo outras pedras mais leves; um terceiro será uma pedra que ficará mesmo no interior, onde se situa a arca com os querubins e o propiciatório (1 R 6,19); um quarto será a pedra do vestíbulo (v.3), e um quinto, ainda, fora do vestíbulo dos padres e dos levitas, será a pedra do altar onde são feitas as oferendas das colheitas [...] O desenvolvimento da construção, com a organização dos ministérios, será confiado aos anjos de Deus, essas forças santas prefiguradas nos mestres de obras de Salomão [...] Tudo isto se cumprirá quando a paz for perfeita, quando reinar uma grande paz.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Revista "A Mensagem"


O último número da revista A Mensagem tem por tema: Aprender a Missão com S. Paulo. Colocamos à disposição dos catequistas e pais a digitalização este número.

Boa leitura e bom trabalho!

2ª-feira da semana XXXIV do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 21,1-4) feito por

São Paulino de Nola (355-431), bispo

Carta 34, 2-4 : PL 61, 345-346

«Ela deitou tudo o que tinha para viver»

Lembremo-nos daquela viúva que, preocupada com os pobres, de si mesma se esqueceu a ponto de dar tudo o que lhe restava para viver, pensando na única vida que havia de vir, como o atesta o próprio Senhor. Os outros tinham dado o que lhes era supérfluo, mas ela, talvez mais pobre que muitos pobres – pois a sua fortuna estava reduzida a duas simples moedas -, era mais rica, em seu coração, que todos os ricos. Ela só olhava para as riquezas da recompensa eterna; desejosa dos tesouros celestes, renunciou a tudo o que possuía, bem como aos bens que vêm da terra e a ela retornam (Gn 3,19). Deu o que tinha para possuir o que não via. Deu os seus bens perecíveis para adquirir bens imortais. Esta pobrezinha não esqueceu os meios previstos e dispostos pelo Senhor para obter a recompensa futura. Por isso o Senhor, Juiz do mundo, não se esqueceu dela, pronunciando logo a sua sentença: faz o elogio daquela que vai coroar no dia do julgamento.

sábado, 22 de novembro de 2008

Domingo da semana XXXIV do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 25,31-46) feito por

São Nicolau Cabasilas (c. 1320-1363), teólogo leigo grego

A Vida em Jesus Cristo, Livro 4, 93-97; 102

«Vinde, benditos de meu Pai, recebei como herança o reino que vos está preparado desde a criação do mundo»

«Depois de haver completado a purificação dos pecados, sentou-Se à direita da majestade divina nas alturas» (Heb 1, 3). [...] Foi, pois, para nos servir que Ele veio de junto de Seu Pai a este mundo. E o cúmulo é que não é apenas no momento em que aparece nesta terra, revestido da enfermidade humana, que Se apresenta sob a forma de escravo, escondendo a Sua qualidade de senhor; será também mais tarde, no dia em que vier com todo o Seu poder e aparecer em toda a glória de Seu Pai, aquando da Sua manifestação. Quando vier no Seu reino, «cingir-Se-á, mandará que se ponham à mesa e servi-los-á» (Lc 12, 37). Eis Aquele pelo Qual reinam os soberanos e governam os príncipes!

É assim que Ele há-de exercer a Sua realeza, verdadeira e sem mancha [...]; é assim que Ele domina aqueles que submeteu ao Seu poder: mais amável que um amigo, mais equitativo que um príncipe, mais terno que um pai, mais íntimo que os membros, mais indispensável que o coração. Ele não Se impõe pelo medo, nem submete através do salário. Somente em Si mesmo encontra a força do Seu poder, apenas prende os que Se lhe submetem. Porque reinar pelo medo ou com vista a um salário não é governar por si mesmo, mas pela esperança do lucro ou pela ameaça. [...]

É preciso que Cristo reine em sentido próprio; qualquer outra autoridade é indigna Dele. Ele soube chegar a este ponto por uma via extraordinária [...]: para Se tornar o verdadeiro Senhor, abraça a condição de escravo e torna-Se servo de escravos, até à cruz e à morte; e assim arrebata a alma dos escravos e apodera-Se directamente da vontade deles. Sabendo que é esse o segredo deste modo de reinar, Paulo escreve: «Humilhou-Se a Si mesmo, feito obediente até à morte, e morte de cruz. Por isso é que Deus O exaltou» (Fil 2, 8-9). [...] Pela primeira criação, Cristo é senhor da natureza; pela nova criação, tornou-Se senhor da nossa vontade. [...] É por isso que Ele diz: «Foi-Me dado todo o poder no céu e na terra» (Mt 28, 18).

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

6ª-feira da semana XXXIII do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 19,45-48) feito por

Uma liturgia oriental

Oração para a bênção de uma igreja

Que o templo interior seja tão belo como o templo de pedras

Quando três se reúnem em teu nome (Mt 18,20), eles já formam uma igreja. Olha os milhares aqui reunidos: os seus corações prepararam um santuário antes que as nossas mãos construíssem este à glória do teu nome. Que o templo interior seja tão belo como o templo de pedras. Concede-nos habitar num como no outro; os nossos corações como estas pedras estão marcados com o teu nome.

A força todo-poderosa de Deus teria podido construir uma morada para si mesma de uma forma tão fácil como a que usou para, com um gesto, dar existência ao universo. Mas Deus construiu o homem a fim de que o homem construísse moradas para ele. Bendita seja a sua clemência que nos amou tanto! Ele é infinito; nós somos limitados. Ele construiu para nós o mundo; nós construímos-lhe uma casa. É admirável que o homem possa construir uma morada ao Todo-poderoso presente em tudo, a quem ninguém saberá escapar.

Ele habita no meio de nós com ternura; ele atrai-nos com laços de amor; ele permanece no meio de nós e chama-nos para que tomemos o caminho do céu para habitarmos com ele. Ele deixa a sua morada e escolhe a Igreja para que nós abandonemos a nossa morada e escolhamos o paraíso. Deus habitou no meio dos homens para que os homens encontrem Deus.

quarta-feira, 19 de novembro de 2008

4ª-feira da semana XXXIII do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 19,11-28) feito por

João Paulo II

Encíclica Laborem exercens, 27 (trad. © copyright Libreria Editrice Vaticana)

"Fazei-os render"

O suor e a fadiga, que o trabalho comporta necessariamente na presente condição da humanidade, proporcionam aos cristãos e a todo o homem, dado que todos são chamados para seguir a Cristo, a possibilidade de participar no amor à obra que o mesmo Cristo veio realizar. Esta obra de salvação foi realizada por meio do sofrimento e da morte de cruz. Suportando o que há de penoso no trabalho em união com Cristo crucificado por nós, o homem colabora, de algum modo, com o Filho de Deus na redenção da humanidade. Mostrar-se-á como verdadeiro discípulo de Jesus, levando também ele a cruz de cada dia nas actividades que é chamado a realizar.

Cristo, «suportando a morte por todos nós, pecadores, ensina-nos com o seu exemplo ser necessário que também nós levemos a cruz que a carne e o mundo fazem pesar sobre os ombros daqueles que buscam a paz e a justiça»; ao mesmo tempo, porém, «constituído Senhor pela sua Ressurreição, Ele, Cristo, a quem foi dado todo o poder no céu e na terra, opera já pela virtude do Espírito Santo, nos corações dos homens... purificando e robustecendo aquelas generosas aspirações que levam a família dos homens a tentar tornar a sua vida mais humana e a submeter para esse fim toda a terra» (Vaticano II, GS 38).

No trabalho humano, o cristão encontra uma pequena parcela da cruz de Cristo e aceita-a com o mesmo espírito de redenção com que Cristo aceitou por nós a sua Cruz. E, graças à luz que, emanando da Ressurreição do mesmo Cristo, penetra dentro de nós, descobrimos sempre no trabalho um vislumbre da vida nova, do novo bem, um como que anúncio dos «céus novos e da nova terra» (Ap 21,1), os quais são participados pelo homem e pelo mundo precisamente mediante o que há de penoso no trabalho.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

3ª-feira da semana XXXIII do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 19,1-10) feito por

Bem-aventurado João de Ruusbroec (1293-1381), cónego regular

Le miroir de la béatitude eternelle, (Trad. Louf, Bellefontaine 1997, v.3, p.220)

«Hoje é preciso que eu venha ficar em tua casa»

Algumas pessoas assemelham-se a Zaqueu. Desejam ver Jesus para saberem quem ele é, mas, para isso, toda a razão e toda a luz natural são de pouca importância. Essas pessoas correm, pois, à frente de toda a multidão e de toda a dispersão das criaturas. Pela fé e pelo amor, trepam ao cimo do seu pensamento, aonde o espírito se mantém desligado de qualquer imagem e sem qualquer entrave à sua liberdade. É aí que Jesus se vê, reconhecido e amado na sua divindade. É que ele está sempre presente em todos os espíritos livres e elevados que, amando-o, se elevaram acima de si mesmos. É aí que Ele transborda em plenitude de dons e de graças.

Ele diz, contudo, a cada uma delas: «Desce depressa, porque uma liberdade elevada do espírito só se pode manter graças a um espírito humilde e obediente. É que precisas de me reconhecer e amar como Deus e como homem, ao mesmo tempo exaltado acima de tudo e rebaixado abaixo de tudo. Desse modo é que me saborearás, quando eu te elevar acima de tudo e acima de ti próprio, em mim, e quando tu te rebaixares abaixo de tudo e abaixo de ti mesmo, comigo e por minha causa. Então, eu preciso de vir a tua casa, ficar nela e morar contigo e em ti, e tu comigo e em mim».

Quando alguém reconhece isto, o saboreia e o sente, desce depressa, não se apreciando em coisa alguma e dizendo com um coração humilde, desiludido da sua vida e de todas as suas obras: «Senhor, eu não sou digno, pelo contrário, sou indigno de receber (Mt 8,8), na morada de pecado que são o meu corpo e a minha alma, o teu corpo glorioso no Santo Sacramento. Mas tu, Senhor, mostra-me a tua graça e tem piedade da minha pobre vida e de todas as minhas fraquezas».

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

Semana PAULINAS

De 22 a 29 de Novembro próximo as Edições Paulinas promovem uma semana recheada de descontos!

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Aproveite!

2ª-feira da semana XXXIII do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia feito por

S. Gregório o Grande (c. 540-640), Papa, Doutor da Igreja

Sermões sobre o Evangelho, nº 2; PL 76, 1081 ( Trad. Luc comentada, DDB 1987, p139 rev.)

«O homem começou a ver e seguia Jesus dando glória a Deus»

O Nosso Redemptor, prevendo que os discípulos ficassem perturbados com a sua Paixão, anuncia-lhes com muita antecedência os sofrimentos da sua Paixão e a glória da sua Ressurreição (Luc 18, 31-33). Assim, vendo-o morrer como lhes anunciara, não duvidariam da sua Ressurreição. Mas, presos ainda à nossa condição carnal, os discípulos não podiam compreender estas palavras anunciando o mistério (v. 34). É então que intervém um milagre: debaixo dos seus olhos, um cego recupera a visão, para que aqueles que eram incapazes de assimilar as palavras do mistério sobrenatural fossem sustentados na sua fé à vista de um acto sobrenatural.

É que devemos ter um duplo olhar sobre os milagres do nosso Salvador e Mestre: são factos que devemos aceitar como tais e são signos que remetem para outra coisa... Assim, no plano da história, não sabemos nada acerca de quem era este cego. Mas que ele é designado de forma obscura, sabemo-lo. Este cego é o género humano expulso, na pessoa do seu primeiro pai, da alegria do Paraíso, que não tem qualquer conhecimento da luz divina e está condenado a viver nas trevas. Contudo, a presença do seu Redemptor ilumina-o: ele começa a ver as alegrias da luz interior, e, desejando-as, pode pôr os pés na caminhada de vida das boas obras.

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

4ª-feira da semana XXXII do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia feito por

S. Bernardo (1091-1153), monge cisterciense e doutor da Igreja

Sermões diversos, n.º 27

«Os outros nove, onde estão?»

Vemos, hoje em dia, muitas pessoas que rezam, mas, afinal, não as vemos a voltar atrás para dar graças a Deus [...] «Não foram os dez curados? Onde estão pois os outros nove?» Estais a lembrar-vos, penso eu, que foi nestes termos que o Salvador se lamentou acerca da ingratidão dos outros nove leprosos. Podemos ler que eles sabiam «rezar, suplicar e pedir», pois tinham levantado a voz para exclamar: «Jesus, Filho de David, tende piedade de nós». Mas faltou-lhes uma quarta coisa que o apóstolo Paulo reclama: «a acção de graças» (1Tm2,1), porque não voltaram para dar graças a Deus.

Nos nossos dias é ainda frequente ver um considerável número de pessoas pedir a Deus com insistência o que lhes falta, mas são em pequeno número as que parecem ficar reconhecidas com os dons recebidos. Não há mal em pedir com insistência, mas o que faz que Deus não nos atenda é considerar que nos falta gratidão. Afinal, talvez seja até um acto de clemência da sua parte recusar aos ingratos o que estes pedem, para que não venham a ser julgados com rigor por causa da sua ingratidão [...]. É pois por misericórdia que Deus retém por vezes a sua misericórdia [...]

Vede portanto como todos os que estão curados da lepra do mundo, quero dizer, das desordens evidentes, não aproveitam a sua cura. Alguns, com efeito, foram atingidos por uma chaga bem pior do que a lepra, tanto mais perigosa por ser uma chaga mais interior. É por isso com razão que o Senhor do mundo pergunta onde estão os outros nove leprosos, porque os pecadores se afastam da salvação. É por isso que, depois de o primeiro homem ter pecado, Deus lhe perguntou: «Onde estás?» (Gn 3,9).

terça-feira, 11 de novembro de 2008

3ª-feira da semana XXXII do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 17,7-10) feito por

S. Patrício (c. 385 - c.461), monge missionário, bispo

Confissão, 12-14

"Somos servos inúteis"

Eu, que, de início, não era mais do que um fugitivo frustre e sem instrução e que "não sei prever o futuro" (Qo 4,13 Vulg), sei, no entanto, uma coisa com toda a certeza: é que, "antes de ser humilhado" (Sl 118,67), eu era como uma pedra que jazia numa lama profunda. Mas Ele veio, "aquele que é poderoso" (Lc 1,49) e agarrou em mim na sua misericórdia; ergueu-me verdadeiramente bem alto e colocou-me em cima do muro. Por isso, eu tenho de elevar a voz com toda a força, a fim de devolver qualquer coisa ao Senhor em troca dos seus benefícios, tanto aqui em baixo como pela eternidade, benefícios tão grandes que o espírito dos homens não pode enumerar.

Ficai, pois, em admiração, "grandes e pequenos que temeis a Deus" (Ap 19,5); e vós, senhores e bem-falantes, escutai e examinai com atenção. Quem foi que me ergueu, a mim, o insensato, de entre os que passam por sábios, peritos da lei, "poderosos em palavras" (Lc 24,19) e em todas as outras coisas? Quem foi que me inspirou, mais do que aos outros, a mim, o rebotalho deste mundo, a fim de que "no temor e no respeito" (He 12,28)... eu faça lealmente bem aos povos a quem o amor de Cristo me conduziu e me entregou para, se for digno disso, os servir toda a minha vida com humildade e verdade?

É por isso que, "segundo a medida da minha fé" (Rm 12,6) na Trindade, eu tenho de reconhecer e... proclamar o dom de Deus e a sua "eterna consolação" (2Tes 2,16). Tenho que espalhar sem temor mas com confiança o nome de Deus por toda a parte para que, mesmo após a minha morte, eu deixe uma herança aos meus irmãos e aos meus filhos, a tantos milhares de homens que baptizei no Senhor.

sábado, 8 de novembro de 2008

Mensagem de D. Manuel Clemente para a semana dos Seminários


Chegamos a mais uma Semana dos Seminários, para preenchermos um ano inteiro com a mesma intenção, mais activada.

Porque é de activação que se trata. Todos desejamos mais padres, que o possam ser mais especificamente, naquilo que só eles podem dar à Igreja, quais sacramentos vivos de Cristo pastor. Os que temos têm de atender a muitas coisas e a muitos lugares, por serem poucos e por incipiente corresponsabilidade eclesial.

Em tudo temos de crescer, como Igreja que reconhece e estimula os dotes e carismas de cada um dos seus membros: para o laicado consciente e comprometido na Igreja e no mundo, para a vida religiosa e missionária, bem como para todas as vocações de especial consagração, para o diaconado e para o sacerdócio ministerial. A vida e os escritos de São Paulo, especialmente acolhidos no presente Ano Paulino, evidenciam-nos o seu método de fundar e acompanhar as comunidades cristãs, precisamente nesse sentido de corresponsabilidade de todos e missão comum.

Nada disto acontecerá suficientemente se não dispusermos de muitos “Paulos” que, como ele, se dediquem de alma, coração e vida à “edificação do Corpo (eclesial) de Cristo”, na pregação, na Eucaristia e na reconciliação. Sabemo-lo bem, activemo-lo então. Que esta Semana dos Seminários suscite nas comunidades cristãs um renovado interesse pelas Casas que formam os futuros pastores do Povo de Deus. Que não haja uma paróquia ou comunidade onde não se reze diariamente pelos Seminários; que se organize pela Diocese um Lausperene pelos Sacerdotes e pelos Seminários; que se apoiem materialmente estas Casas, para que disponham das condições necessárias à formação dos candidatos; que se reconheça e estimule o trabalho dos formadores, só possível com a oração e o carinho dos crentes.

Na nossa Diocese do Porto, contamos com o Pré Seminário (Comunidade Não Residente do Seminário do Bom Pastor), o Seminário do Bom Pastor (Ermesinde), o Seminário de Nossa Senhora da Conceição (Sé) e o Seminário de Santa Teresa do Menino Jesus (agora a começar e ligado ao Caminho Neo-Catecumenal): passam de sessenta, os seminaristas no conjunto dos três Seminários e de sessenta e um o número de pré-seminaristas admitidos e catorze em processo de admissão. Temos também outras Casas de formação sacerdotal, ligadas aos Institutos Religiosos. Rezemos por todos; tenhamo-los no coração, pois brotam do coração de Deus, em favor do seu povo!

Porto, 22 de Outubro de 2008

+ Manuel Clemente, Bispo do Porto

Domingo da semana XXXII do Tempo Comum - reflexão...


Cardeal John Henry Newman (1801-1890), padre, fundador de comunidade religiosa, teólogo

PPS, vol. 4, n.° 12 : «The Church, a Home for the Lonely»

«Destruí este templo, e em três dias Eu o levantarei!»

O Templo judeu, visível e material, estava confinado a um só lugar. Não cabia nele o mundo inteiro, nem mesmo uma nação, mas apenas algumas pessoas da multidão. Mas o templo cristão é invisível e espiritual, e pode ser em qualquer sítio. [...] Jesus diz à Samaritana: «Mas chega a hora - e é já - em que os verdadeiros adoradores hão-de adorar o Pai em espírito e verdade, pois são assim os adoradores que o Pai pretende» (Jo 4,23). «Em espírito e em verdade», porque, a menos que seja invisível, a sua presença não pode ser real. O que é visível não é o real; o que é material desagregar-se-á; o que está em determinado lugar é um fragmento, apenas.

O templo de Deus, no regime cristão, é todo o lugar onde os cristãos se juntam em nome de Cristo; Ele está também presente de forma completa em cada lugar, como se não estivesse em mais nenhuma outra parte. E podemos entrar nesse templo, e juntarmo-nos aos santos que nele moram, à família celeste de Deus, de forma tão real quanto o adorador judeu entrava no recinto visível do Templo. Nada vemos deste nosso templo espiritual, mas é a condição requerida para que ele esteja em todo o lado. Ele não estaria em todo o lado se o víssemos num local específico; nada vemos, então, mas fruímos de tudo.

Já os profetas do Antigo Testamento no-lo apresentavam assim. Isaías escreveu: «No fim dos tempos o monte do templo do Senhor estará firme, será o mais alto de todos, e dominará sobre as colinas. Acorrerão a ele todas as gentes» (Is 2,2). O templo cristão foi desvelado a Jacob [...] quando em sonhos viu «uma escada apoiada na terra, cuja extremidade tocava o céu; e, ao longo desta escada, subiam e desciam mensageiros de Deus» (Gn 28,12), e também ao servo de Eliseu: «O Senhor abriu os olhos do servo e ele viu o monte repleto de cavalos e carros de fogo, em redor de Eliseu» (2Rs 6,17). Trata-se de antecipações do que iria ser estabelecido com a chegada de Cristo, que «abriu o Reino de Deus a todos os crentes». Por isso, São Paulo diz: «Vós, porém, aproximastes-vos do monte Sião e da cidade do Deus vivo, da Jerusalém celeste, de miríades de anjos, da reunião festiva» (He 12,22).

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

4ª-feira da semana XXXI do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 14,25-33) feito por

Santa Teresa do Menino Jesus (1873-1897), carmelita, Doutora da Igreja

Carta 197, de 17/09/1896

«Quem de entre vós não renunciar a todos os seus bens não pode ser Meu discípulo»

Minha querida irmã, como podeis perguntar-me se vos será possível amar o Bom Deus como eu o amo? [...] Os meus desejos de martírio nada são, não são eles que me transmitem a confiança ilimitada que sinto no coração. A bem dizer, as riquezas espirituais tornam-nos injustos, quando nelas repousamos de forma complacente, convencidos de que são coisas grandiosas. [...] Sinto profundamente que [...] aquilo que agrada ao Bom Deus na minha pequena alma é o facto de eu amar a minha pequenez e a minha pobreza, é a esperança cega que tenho na Sua misericórdia. Eis o meu único tesouro. [...]

Ó minha querida irmã [...], compreendei que, para amar Jesus, [...] quanto mais fracas formos, mais desprovidas de desejos e de virtudes, mais estamos disponíveis para as operações desse Amor que consome e que transforma. Basta apenas o desejo de ser vítima, mas temos de consentir em permanecer pobres e sem forças, e é isso que é difícil, pois «onde encontraremos o verdadeiro pobre de espírito? Teremos de procurar bem longe», diz o salmista. E não diz que temos de o procurar entre as almas grandes, mas «bem longe», ou seja, na baixeza e no nada.

Permaneçamos, pois, bem longe de tudo quanto brilha, amemos a nossa pequenez, amemos nada sentir, e seremos pobres de espírito; e Jesus virá à nossa procura; por muito longe que estejamos, Ele nos transformará em chamas de amor. Ah, como gostaria de ser capaz de vos fazer compreender aquilo que sinto! A confiança, e só a confiança, vos conduzirá ao Amor. Não é certo que o temor conduz à Justiça? (À justiça severa, tal como é apresentada aos pecadores, mas que não é a justiça com que Jesus olhará para aqueles que O amam.) E, se vemos o caminho, corramos juntos. Sim, eu sinto que Jesus quer conceder-nos as mesmas graças, que Ele quer dar-nos gratuitamente o Seu céu.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

3ª-feira da semana XXXI do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 14,15-24) feito por

Divina Liturgia de São Basílio (século IV)

Oração eucarística, I Parte

«Vai pelos caminhos e azinhagas e obriga toda a gente a entrar para que a minha casa fique cheia»

Santo, santo, Tu és verdadeiramente santo, Senhor nosso Deus, e não há limite para a grandeza da Tua santidade: Tu dispuseste todas as coisas com correcção e justeza. Modelaste o homem com o barro da terra, honraste-o com a imagem do próprio Deus, colocaste-o num paraíso de delícias, prometendo-lhe – se observasse os mandamentos – a imortalidade e o gozo dos bens eternos. Mas ele transgrediu os Teus mandamentos, Deus verdadeiro, e, seduzido pela malícia da serpente, vítima do seu próprio pecado, submeteu-se à morte. Pelo Teu justo juízo, foi expulso do Paraíso para este mundo, reenviado para a terra de onde havia sido tirado.

Mas Tu dispuseste para ele, no Teu Cristo, a salvação pelo novo nascimento, pois não rejeitaste para sempre a criatura que havias criado na Tua bondade; velaste por ela de muitas maneiras, na grandeza da Tua misericórdia. Enviaste profetas, fizeste milagres pelos santos que, em cada geração, Te foram agradáveis; deste-nos a Lei para nos socorrer; estabeleceste os anjos, para nos guardarem.

E, ao chegar a plenitude dos tempos, falaste-nos no Teu único Filho, por Quem criaste o universo; Ele que é o esplendor da Tua glória e a imagem da Tua natureza; Ele que tudo realiza pelo poder da Sua palavra; Ele, que não preservou ciosamente a Sua igualdade com Deus mas, desde toda a eternidade, veio à terra, viveu com os homens, tomou carne na Virgem Maria, aceitou a condição de escravo, assumiu o nosso corpo miserável, para nos tornar conformes ao Seu corpo de glória (Heb 1, 2-3; Fil 2, 6-7; 3, 21).

E, como foi pelo homem que o pecado entrou no mundo – e, pelo pecado, a morte –, agradou ao Filho único, a Ele que Se encontrava eternamente no Teu seio, ó Pai, mas que nasceu de mulher, condenar o pecado na Sua carne, a fim de que aqueles que haviam morrido em Adão tivessem a plenitude da vida em Cristo (Rom 5, 12; 8, 3). Enquanto viveu neste mundo, Ele deu-nos preceitos de salvação, desviou-nos do erro dos ídolos, levando-nos a conhecer-Te, a Ti, Deus verdadeiro. Desse modo, conquistou-nos para Si como povo escolhido, sacerdócio real, nação santa (1 Ped 2, 9).

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

2ª-feira da semana XXXI do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia feito por

Santo Agostinho (354-430), bispo de Hipona (África do Norte) e doutor da Igreja

Discurso sobre o salmo 121

«Isso ser-te-á restituído na ressurreição dos justos»

O amor é muito poderoso: ele é a nossa força. Se não o temos, tudo o resto não nos servirá de nada. «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, diz o apóstolo Paulo, se não tiver amor, sou como bronze que ressoa, ou como címbalo que tine» (1Co 13,1). Escutai em seguida esta palavra magnífica: «Ainda que distribua todos os meus bens em esmolas e entregue o meu corpo a fim de ser queimado, se não tiver amor, de nada me aproveita» (v. 3). Se não tens senão o amor, mesmo que não possas distribuir nada pelos pobres, ama. Darás apenas «um copo de água fresca» (Mt 10,42), e isso valer-te-á a mesma recompensa que Zaqueu, que tinha distribuído metade da sua fortuna (Lc 19,8). Como será isso? Um dá pouco, o outro muito e os seus gestos têm o mesmo valor?

O salmista diz: «Iremos à casa do Senhor». Vejamos nós se lá vamos. Não são os nossos pés, mas os nossos corações que nos levam lá. Vejamos se vamos lá; que cada um de vós se interrogue: Que fazes tu pelo pobre fiel, pelo indigente teu irmão ou pelo mendigo que te estende a mão? Vê se o teu coração não é muito estreito... «Procurai o que faz a paz de Jerusalém» (Sl. 121). O que é que faz a paz de Jerusalém? «A abundância para os que te amam» (Vulg.). O salmista dirige a palavra a Jerusalém: «Os que te amam estarão na abundância» – a abundância depois da pobreza. Aqui em baixo, a miséria, lá em cima, a abundância; aqui a fraqueza, lá, a força; os que são pobres aqui, serão ricos lá em cima. Donde vem a sua riqueza? Do que deram aqui, dos bens que por algum tempo receberam de Deus; lá, eles recebem o que Deus lhes dá, por toda a eternidade.

Meus irmãos, aqui os ricos são pobres; é bom que o rico descubra a sua pobreza. Ele julga-se repleto? É inchamento, não plenitude. Que ele reconheça o seu vazio a fim de poder ser cumulado. Que é que ele possui? Ouro. Que lhe falta ainda? A vida eterna. Que ele olhe bem para o que tem e para o que lhe falta. Irmãos, que ele dê o que possui, a fim de receber o que não tem.

domingo, 2 de novembro de 2008

Domingo da semana XXXI do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Mateus 25,31-46) feito por

S. Braulio de Saragoça (cerca 590-651); bispo

Carta 19

«Ao ver a viúva, o Senhor Jesus ... disse-lhe: 'Não chores'» (Lc 7,13)

Cristo, esperança de todos os crentes, chama aos que deixam este mundo não mortos mas adormecidos ao dizer: «Lázaro, o meu amigo, está a dormir» (Jo 11,11); o apóstolo Paulo, por seu turno, não quer que estejamos «tristes por causa dos que adormeceram» (1 Tes 4,13). Por isso, se a nossa fé afirma que «todos os que crêem» em Cristo, segundo a palavra do Evangelho, «não morrerão jamais» (Jo 11,16), nós sabemos que eles não estão morto e que nós próprios não morremos. É porque, «quando for dado o sinal, à voz do arcanjo e ao som da trombeta de Deus, o próprio Senhor descerá do céu, e os que morreram em Cristo, ressurgirão» (1 Tes 4,16). Portanto, que a esperança da ressurreição nos encoraje, pois voltaremos a ver os que tínhamos perdido. Importa que acreditemos firmemente nele, quer dizer, que obedeçamos aos seus mandamentos, porque com o seu poder supremo ele acorda os mortos mais facilmente do que nós acordamos os que estão a dormir. Eis o que nós dizemos e, contudo, não sei por que sentimento, refugiamo-nos nas lágrimas, e o sentimento da lamúria dá um primeiro corte na nossa fé. Ai de nós! A condição do homem é lamentável, e como é vã a nossa vida sem Cristo! Mas tu, ó morte, que tens a crueldade de quebrar a união dos esposos e de separar os que estão unidos pela amizade, a tua força está desde já esmagada. De futuro, o teu jugo impiedoso é esmagado por aquele que te ameaçava pelas palavras do profeta Oseias: «Ó morte, eu serei a tua morte» (Os 13,14 Vulg). É por isso que, com o apóstolo Paulo, lançamos este desafio: «Onde está, ó morte, a tua vitória? Onde está, ó morte, o teu aguilhão?» (1 Cor 15,55). Aquele que te venceu resgatou-nos, entregou a sua querida alma nas mãos dos ímpios, para fazer deles os seus queridos.Seria muito longo relembrar tudo o que nas Santas Escrituras nos deveria consolar a todos. Que nos baste acreditar na ressurreição e erguer os nossos olhos para a glória do nosso Redentor, porque é nele que nós somos já ressuscitados, como a nossa fé nos faz pensar, segundo a palavra do apóstolo Paulo: «Se morremos por Ele, também com Ele reviveremos» (2 Tim 2,11).

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

4ª-feira da semana XXX do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 13,22-30) feito por

Santo Ireneu de Lyon (c.130 - c.208), bispo, teólogo e mártir

Contra as heresias, V, 32, 2

«Hão-de vir do Oriente, do Ocidente, do Norte e do Sul, sentar-se à mesa no Reino de Deus»

A promessa feita anteriormente por Deus a Abraão manteve-se estável. Deus tinha-lhe dito, com efeito: «Ergue os teus olhos e, do sítio em que estás, contempla o norte, o sul, o oriente e o ocidente. Toda a terra que estás a ver, dar-ta-ei, a ti e aos teus descendentes, para sempre» (Gn 13,14-15). [...] No entanto, Abraão não recebeu herança alguma durante a sua vida terrena, «nem mesmo um palmo de terra»; foi sempre um «estrangeiro e hóspede» de passagem (Act 7,5; Gn 23,4) [...] Portanto, se Deus lhe prometeu a herança da terra, e se não a recebeu durante a sua estadia terrena, terá de recebê-la na posteridade, isto é, com aqueles que temem a Deus e n'Ele crêem, aquando da ressurreição dos justos.

Ora a sua posteridade é a Igreja, que, pelo Senhor, recebe a filiação adoptiva em relação a Abraão, como diz João Baptista: «Deus pode suscitar, destas pedras, filhos de Abraão» (Mt 3,9). Também o apóstolo Paulo diz na sua Epístola aos Gálatas: «E vós, irmãos, à semelhança de Isaac, sois filhos da promessa» (Gl, 4,28). Diz claramente ainda, na mesma epístola, que os que acreditaram em Cristo recebem, de Cristo, a promessa feita a Abraão: «Ora, as promessas foram feitas a Abraão e à sua descendência. Não se diz: «e às descendências», como se de muitas se tratasse; trata-se, sim, de uma só: E à tua descendência, que é Cristo» (Gl 3,16). E, para confirmar tudo isto, diz ainda «Assim foi com Abraão: teve fé em Deus e isso foi-lhe atribuído à conta de justiça. Ficai, por isso, a saber: os que dependem da fé é que são filhos de Abraão. E como a Escritura previu que é pela fé que Deus justifica os gentios, anunciou previamente como evangelho a Abraão: Serão abençoados em ti todos os povos» (Gl 3,6-8) [...]

Se portanto nem Abraão nem a sua descendência, isto é, todos os que são justificados na fé, não recebem agora herança alguma na terra, recebê-la-ão no momento da ressurreição dos justos, porque Deus é verídico e estável em todas as coisas. E é por este motivo que o Senhor dizia «Felizes os mansos, porque possuirão a terra.» (Mt 5,5).

terça-feira, 28 de outubro de 2008

3ª-feira da semana XXX do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 6,12-16) feito por

Papa Bento XVI

Audiência geral de 3/5/2006
(trad. DC 2359, p. 514 © copyright Libreria Editrice Vaticana)

"Convocou os discípulos e escolheu doze dentre eles, aos quais deu o nome de Apóstolos"

A Tradição Apostólica não é uma colecção de objectos, de palavras como uma caixa que contém coisas mortas; a Tradição é o rio da vida nova que vem das origens, de Cristo até nós, e envolve-nos na história de Deus com a humanidade. Este tema da Tradição é de grande importância para a vida da Igreja.

O Concílio Vaticano II realçou, a este propósito, que a Tradição é apostólica antes de tudo nas suas origens: "Dispôs Deus, em toda a sua benignidade, que tudo quanto revelara para a salvação de todos os povos permanecesse íntegro para sempre e fosse transmitido a todas as gerações. Por isso, Cristo Senhor, em quem se consuma toda a revelação de Deus Sumo (cf. 2 Cor 1, 30; 3, 16; 4, 6), mandou aos Apóstolos que pregassem a todos os homens o Evangelho... como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes os dons divinos" (Const. dogm. Dei Verbum, 7).

O Concílio prossegue, anotando como tal empenho foi fielmente seguido "pelos Apóstolos que, pela sua pregação oral, exemplos e instituições, comunicaram aquilo que tinham recebido pela palavra, convivência e obras de Cristo, ou aprendido por inspiração do Espírito Santo" (ibid.). Com os Apóstolos, acrescenta o Concílio, colaboraram também "varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a Mensagem da salvação" (ibid.).

Como chefes do Israel escatológico, também eles doze como doze eram as tribos do povo eleito, os Apóstolos continuam a "recolha" iniciada pelo Senhor, e fazem-no antes de tudo transmitindo fielmente o dom recebido, a boa nova do Reino que veio até aos homens em Jesus Cristo. O seu número expressa não só a continuidade com a santa raiz, o Israel das doze tribos, mas também o destino universal do seu ministério, que leva a salvação até aos extremos confins da terra. Pode-se captar isto do valor simbólico que têm os números no mundo semítico: doze resulta da multiplicação de três, número perfeito, e quatro, número que remete para os quatro pontos cardeais, e portanto para todo o mundo.

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

1º Aniversário do nosso Blog


Foi a 27 de Outubro de 2007 que "lançamos" a mensagem de abertura do nosso Blog... Passou um ano e muitas coisas foram feitas e relatadas neste Blog dedicado à Catequese: textos de informação e formação, fotos dos acontecimentos marcantes da vida da Catequese, músicas e programas de rádio, vídeos sobre a Igreja e o Mundo, meditações sobre o Evangelho de cada dia, trabalhos das nossas crianças, etc...

Tudo isto só foi e é possível com a ajuda e o carinho de todos. Aos que nos ofereceram a sua colaboração, aos que nos animaram com as sua palavras, aos que nos visitaram ao longo deste ano (e foram vários milhares...), aos que tecnicamente permitiram a existência e excelência deste Blog, para todos vai o meu sincero MUITO OBRIGADO!

Frei José Manuel

2ª-feira da semana XXX do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 13,10-17) feito por

Catecismo da Igreja Católica §1730; 1739-1742

"Esta mulher, uma filha de Abraão que Satanás havia amarrado..., era preciso libertá-la"

Deus criou o homem racional, conferindo-lhe a dignidade de pessoa dotada de iniciativa e do domínio dos seus próprios actos. «Deus quis "deixar o homem entregue à sua própria decisão" (Sir 15, 14), de tal modo que procure por si mesmo o seu Criador e, aderindo livremente a Ele, chegue à total e beatífica perfeição»: «O homem é racional e, por isso, semelhante a Deus, criado livre e senhor dos seus actos» (Santo Ireneu)...

A liberdade do homem é finita e falível. E, de facto, o homem falhou. Livremente, pecou. Rejeitando o projecto divino de amor, enganou-se a si mesmo; tornou-se escravo do pecado. Esta primeira alienação gerou uma multidão de outras. A história da humanidade, desde as suas origens, dá testemunho de desgraças e opressões nascidas do coração do homem, como consequência de um mau uso da liberdade... Afastando-se da lei moral, o homem atenta contra a sua própria liberdade, agrilhoa-se a si mesmo, quebra os laços de fraternidade com os seus semelhantes e rebela-se contra a verdade divina.

Pela sua cruz gloriosa, Cristo obteve a salvação de todos os homens. Resgatou-os do pecado, que os retinha numa situação de escravatura. «Foi para a liberdade que Cristo nos libertou» (Gl 5, 1). N'Ele, nós comungamos na verdade que nos liberta (Jo 8,32). Foi-nos dado o Espírito Santo e, como ensina o Apóstolo, «onde está o Espírito, aí está a liberdade» (2 Cor 3, 17). Já desde agora nos gloriamos da «liberdade dos filhos de Deus» (Rm 8,21).

A graça de Cristo não faz concorrência de modo nenhum, à nossa liberdade, quando esta corresponde ao sentido da verdade e do bem que Deus colocou no coração do homem. Pelo contrário, e como o certifica a experiência cristã sobretudo na oração, quanto mais dóceis formos aos impulsos da graça, tanto mais crescem a nossa liberdade interior e a nossa segurança nas provações, como também perante as pressões e constrangimentos do mundo exterior. Pela acção da graça, o Espírito Santo educa-nos para a liberdade espiritual, para fazer de nós colaboradores livres da sua obra na Igreja e no mundo.

sábado, 25 de outubro de 2008

Domingo da semana XXX do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Mt 22,34-40) feito por

Santo Anselmo (1033-1109), monge, doutor da Igreja

Carta 112, dirigida a Hugo, prisioneiro; Opera omnia, 3, p.245

«Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os profetas»

Como reinar nos céus mais não é do que aderir a Deus e a todos os santos, pelo amor, numa única vontade, de tal forma que exercem em conjunto um único e mesmo poder, ama pois a Deus mais do que ti próprio, e verás que começas a ter o que desejas possuir de forma perfeita no céu. Concerta-te com Deus e com os homens – se estes não se separarem de Deus – e começarás a reinar com Deus e com os seus santos. Porque, na justa medida em que agora te concertares com a vontade de Deus e com a dos homens, Deus e todos os santos concertar-se-ão com a tua vontade. Portanto, se queres ser rei nos céus, ama a Deus e aos homens como deves, e merecerás ser o que desejas.

Mas este amor, não poderás possui-lo na perfeição se não esvaziares o coração de todos os outros amores [...] Eis por que aqueles que enchem o coração com o amor a Deus e ao próximo têm apenas o querer de Deus, ou o de outro homem, na condição de que este não seja contrário a Deus. Eis por que são fiéis à oração, e a esta maneira de viver, a lembrarem-se sempre dos céus; porque lhes é agradável desejar a Deus e falar acerca d'Esse que amam, ouvir falar d'Ele e pensar n'Ele. É por isso também que rejubilam com todos os que estão em graça, que choram com os que estão em dificuldades (Rm 12,15), que têm compaixão pelos infelizes e que dão aos pobres, porque amam os outros homens como a si mesmos. [...] Sim, é assim que, de facto, destes dois mandamentos do amor «dependem toda a Lei e os profetas».

quinta-feira, 23 de outubro de 2008

Reunião Geral de Pais


Conforme a Programação da Catequese está agendada para o dia 23 de Outubro, às 21h30 no Centro Paroquial, uma Reunião Geral de Pais. Esta primeira reunião com os pais, na presença dos catequistas, é importante para um maior e melhor conhecimento de todos.

Pedimos a participação dos pais e catequistas!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Prémio «Bravo» à agência H2ONews


Transcrevemos uma notícia publicada pelo ZENIT sobre o prémio atribuido à agência H2ONews pelo seu excelente trabalho no âmbito da informação. Como sabem o nosso Blog publica diariamente as notícias fornecidas pela H2ONews.

(O texto da notícia está em português do Brasil)


Prêmio «Bravo» à agência H2ONews
Concedido pela Conferência Episcopal Espanhola

MADRI, terça-feira, 21 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Nesta terça-feira se anunciou a concessão do «Prêmio Bravo! Novas Tecnologias», concedido pela Conferência Episcopal Espanhola, à agência multimídia H2Onews (http://www.h2onews.org/).
Enrique Planas, moderador desta iniciativa, reconheceu com gratidão sua surpresa, pois se trata de um projeto que se encontra on-line desde o começo de 2008.
«Ainda que faça pouco tempo que está em andamento, isto significa que deram passos de gigante», afirma o coordenador desta iniciativa que surgiu no primeiro congresso de televisões católicas do mundo em outubro de 2006, em Madri.
H2Onews começou oferecendo um serviço diário de notícias em áudio, vídeo e texto em espanhol, italiano, inglês, árabe, chinês, francês, alemão, português e húngaro, que são distribuídas neste momento por 1.629 canais de televisão, por 1.308 canais de rádio e por 2.539 páginas web.
A agência nestes idiomas notícias diariamente produzidas pelo Centro Televisivo Vaticano (CTV), pelos canais de televisão católicos do mundo, além de publicar informação própria.
Planas recorda que o «Prêmio Bravo! Novas Tecnologias» é o único reconhecimento que existe na Igreja neste campo, motivo pelo qual o recebe como «um motivo de alento».
Planas, quem precedentemente foi oficial do Conselho Pontifício das Comunicações Sociais, delegado da Filmoteca Vaticana, e fundou a Rede Informática da Igreja na América Latina (RIIAL), explica que a Igreja não tem medo das novas tecnologias. «O trabalho que o Conselho Pontifício para as Comunicações Sociais está promovendo neste momento é uma prova disso», explica.
«A Rádio Vaticano foi feita pelo Papa com Guglielmo Marconi», recorda. O fato de que haja iniciativas que estejam surgindo neste campo demonstra que é um novo momento, depois de um período de inflexão que se havia vivido em décadas passadas. O fato de que a Conferência Episcopal da Espanha tenha criado um prêmio às novas tecnologias, conclui, é uma prova e ao mesmo tempo «um impulso para novas iniciativas, oferecendo um estímulo para que surjam outras».

4ª-feira da semana XXIX do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia feito por

S. Fulgêncio (476-532), bispo

Sermão I, 2-3

"Servos de Cristo e administradores dos mistérios de Deus" (1Co 4,1)

Para definir o papel dos servos que colocou à cabeça do seu povo, o Senhor diz esta palavra que o Evangelho nos transmite: "Qual é o administrador prudente e fiel que o senhor estabelecerá sobre o seu pessoal para lhe dar a seu tempo a ração de trigo? Feliz o servo a quem o senhor, quando voltar, encontrar procedendo assim"... Se nos perguntarmos que medida de trigo é esta, S. Paulo no-lo indica; é "a medida de fé que Deus vos repartiu" (Rm 12,3). Aquilo a que Cristo chama medida de trigo, Paulo chama medida de fé para nos ensinar que não há outra medida de trigo espiritual senão o mistério da fé cristã. Essa medida de trigo, damo-vo-la nós em nome do Senhor toda a vez que, iluminados pelo dom espiritual da graça, vos falamos segundo a regra da verdadeira fé. Essa medida, recebei-la vós dos administradores do Senhor todo o dia em que ouvis da boca dos servos de Deus a palavra da verdade.

Que ela seja o nosso alimento, essa medida de trigo que Deus nos faz partilhar. Colhamos nela o sustento para a forma como nos conduzimos, a fim de obtermos a recompensa da vida eterna. Acreditemos naquele que se dá a si mesmo a cada um de nós para que não desfaleçamos no caminho (Mt 15,32) e que se reserva como nossa recompensa para que encontremos a alegria na pátria eterna. Acreditemos e esperemos nele; amemo-lo acima de tudo e em tudo. Porque Cristo é o nosso alimento e será a nossa recompensa. Cristo é o sustento e o reconforto dos viajantes que caminham; é a satisfação e a exaltação dos bem-aventurados que chegam ao seu repouso.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

3ª-feira da semana XXIX do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 12,35-38) feito por

Santo Isaac o Sírio (séc. VII), monge em Nínive, perto de Mossul no actual Iraque

Discursos ascéticos

"Mantenham as lâmpadas acesas"

A oração que se oferece durante a noite tem um grande poder, mais do que a que se oferece durante o dia. É por isso que todos os santos tiveram o hábito de rezar de noite, combatendo a moleza do corpo e a doçura do sono e ultrapassando a sua própria natureza corporal. Também o profeta dizia: "Estou cansado de tanto gemer; todas as noites banho o meu leito com as minhas lágrimas" (Sl 6,7), enquanto suspirava no fundo de si mesmo numa oração apaixonada. E, noutro passo: "Levanto-me a meio da noite para te louvar por causa das tuas sentenças, tu que és o Justo" (Sl 118,62). Para cada um dos pedidos que os santos queriam dirigir a Deus com todas as suas forças, eles armavam-se com a oração nocturna e imediatamente recebiam o que pediam.

O próprio Satanás nada receia tanto como a oração que se oferece durante as vigílias. Mesmo se são acompanhadas de distracções, não ficam sem fruto, a menos que se peça o que não convém. É por isso que ele trava sérios combates contra os que velam, a fim de os afastar quanto possível dessa prática, sobretudo se se mostram perseverantes. Mas os que se fortaleceram um pouco que seja contra as suas manhas perniciosas e saborearam os dons que Deus concede durante as vigílias e experimentaram pessoalmente a grandeza da ajuda que Deus lhes dá, desprezam-no completamente, a ele e a todos os seus estratagemas.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

2ª-feira da semana XXIX do Tempo Comum - reflexão...


Comentário ao Evangelho do dia (Lucas 12,13-21) feito por

S. Basílio (cerca 330-379), monge e bispo em Capadócia, doutor da Igreja

Catequese 31

Amontoar para si próprio ou ser rico com os olhos postos em Deus?

«Que hei-de fazer? Vou aumentar os meus celeiros!» Porque eram as terras deste homem tão produtivas, se ele fazia tão mau uso da sua riqueza? É para mais intensamente se ver a manifestação da imensa bondade de um Deus que estende a sua graça a todos, «pois Ele faz que o sol se levante sobre os bons e os maus e faz cair a chuva sobre os justos e os pecadores» (Mt 5,45) ... Eram estes os benefícios de Deus para com este rico: uma terra fecunda, um clima temperado, abundantes colheitas, bois para o trabalho, e tudo que assegurasse a prosperidade. E ele, que dava em troca? Mau humor, taciturnidade e egoísmo. Era assim que agradecia ao seu benfeitor.

Esquecia que pertencemos todos à mesma natureza humana; não pensou que devia distribuir o que lhe sobrava aos pobres; não fez nenhum caso destes mandamentos divinos: «não negues um benefício a quem precisa dele, se estiver nas tuas mãos concedê-lo» (Prov 3,27), «não se afastem de ti a bondade e a fidelidade» (3,3), «partilha o teu pão com quem tem fome» (Is 58,7). Todos os profetas, todos os sábios lhe gritavam estes preceitos, mas ele fazia ouvidos de mercador. Os seus celeiros rachavam, muito pequenos para o trigo que lá se acumulava, mas o seu coração não estava satisfeito... Ele não queria desfazer-se de nada, mesmo não chegando a armazená-lo todo. Este problema incomodava-o: «Que hei-de fazer?» perguntava constantemente. Quem não teria piedade de um homem assim obcecado? A abundância tornava-o infeliz...; ele lamentava-se tal e qual como os indigentes: «Que hei-de fazer? Como alimentar-me, vestir-me?»...

Observa, homem, quem foi que te cumulou de dons. Reflecte um pouco sobre ti próprio: Quem és tu? O que é que te foi confiado? De quem recebeste esse encargo? Porque fostes tu o escolhido? Tu és servo do Deus bom; tu estás encarregado dos teus companheiros de serviço... «Que hei-de fazer?» A resposta é simples: «Saciarei os famintos, convidarei os pobres... Vós todos a quem falta o pão, vinde possuir os dons concedidos por Deus, que jorram como de uma fonte».

Notícias da Igreja

A vinda de Jesus à Terra