ANIVERSÁRIO DA PARÓQUIA

Aniversário da Paróquia no próximo dia 2 de Fevereiro. Celebração às 19h30 na Igreja. Jantar no Centro Paroquial. Inscrições para o jantar na portaria do Convento (Telf. 226165760).

Madrid 2011

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

1º Domingo da Quaresma - reflexão...


Santo Isaac o Sírio (sec. VII), monge em Nínive, perto de Mossul no actual Iraque

Discursos ascéticos, 1ª série, nº 85


“Então o demónio deixou-o”



«Tal como os olhos sãos desejam a luz, assim o jejum efectuado com discernimento suscita o desejo da oração. Quando um homem começa a jejuar, deseja comunicar com Deus nos pensamentos do seu espírito. Com efeito, o corpo que jejua não suporta dormir toda a noite no seu leito. Quando o jejum sela a boca do homem, este medita em estado de contrição, o seu coração reza, o seu rosto está sério, os maus pensamentos deixam-no; é inimigo das cobiças e das conversas vãs. Nunca se viu um homem jejuar com discernimento e ser assaltado por maus desejos. O jejum feito com discernimento é uma grande casa que protege muito bem…

Porque o jejum é a ordem que foi dada desde o início à nossa natureza, para não comer o fruto da árvore (Gn 2,17), e é daí que vem aquilo que nos engana… Foi também por aí que o Salvador começou, quando se revelou ao mundo no Jordão. Com efeito, depois do baptismo, o Espírito levou-o ao deserto, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites.

Todos os que partem para o seguir fazem doravante o mesmo: é sobre este fundamento que põem o início do seu combate, porque tal arma foi forjada por Deus… E quando agora o diabo vê essa arma na mão de um homem, este adversário e tirano tem medo. Ele pensa imediatamente na derrota que o Salvador lhe infligiu no deserto, recorda-se e a sua força é quebrada. Consome-se assim que vê a arma que nos deu aquele que nos conduz ao combate. Que arma pode ser mais poderosa e reanimar tanto o coração na sua luta contra os espíritos do mal?»

Sábado depois das Cinzas - reflexão...


Richard Rolle (c. 1300-1349), ermita inglês
O Cântico do Amor, 32


"Eu vim para chamar... os pecadores, para que se convertam"

«Na cruz, Cristo chama com grandes gritos... Ele oferece a paz e dirige-se a ti, desejando ver-te abraçar o amor...: "Pensa só nisto, meu bem-amado! Eu, que sou o Criador sem limite, desposei a carne para ser capaz de nascer de uma mulher. Eu, que sou Deus, apresentei-me aos pobres como seu companheiro. Foi uma mãe humilde, a que escolhi. Foi com os publicanos que comi. Os pecadores nunca me inspiraram aversão. Quanto aos perseguidores, pude suportá-los. Experimentei o chicote e "humilhei-me até à morte, e morte de cruz" (Fl 2,8). "Que deveria ter feito e não fiz?" (Is 5,4) Abri o meu lado com a lança. A minha carne ensanguentada, porque não olhas para ela? A minha cabeça inclinada (Jo 19,30), porque não lhe prestas atenção? Aceitei que me contassem no número dos condenados e eis que, submergido em sofrimentos, morro por ti, para que tu vivas para mim. Se não fazes grande caso de ti mesmo, se não procuras libertar-te dos laços da morte, arrepende-te, pelo menos agora, por causa de mim, que derramei por ti o bálsamo tão precioso do meu próprio sangue. Olha-me a morrer e pára nessa encosta de pecado. Sim, deixa de pecar: custaste-me tão caro!

Por ti encarnei, por ti também nasci, por ti me submeti à Lei, por ti fui baptizado, esmagado de opróbrios, preso, amarrado, coberto de escarros, escarnecido, flagelado, ferido, pregado na cruz, embebedado com vinagre e, por fim, imolado. Por ti. O meu lado está aberto: agarra o meu coração. Corre, abraça-te ao meu pescoço: ofereço-te o meu beijo. Eu adquiri-te como minha parte da herança, por forma a que nenhum outro te tenha em seu poder. Entrega-te todo a mim que me entreguei totalmente por ti.»

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Sexta-feira depois das Cinzas - reflexão...


São Pedro Crisólogo (c. 406-450), bispo de Ravena, Doutor da Igreja, Sermão 81:

“Então hão-de jejuar”


«Há três actos, meus irmãos, em que a fé se sustenta, a piedade consiste e a virtude se mantém: a oração, o jejum e a misericórdia. A oração bate à porta, o jejum obtém, a misericórdia recebe. Oração, misericórdia e jejum são uma só coisa, dando-se mutuamente a vida. Com efeito, o jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum. Que ninguém os divida, pois não podem ser separados. Quem pratica apenas um ou dois deles, esse nada tem. Assim, pois, aquele que reza tem de jejuar, e aquele que jejua tem de ter piedade. Ele que escute, o homem que pede e que, ao pedir, deseja ser escutado; aquele que não se recusa a ouvir os outros quando lhe pedem alguma coisa, esse faz-se ouvir por Deus.

Aquele que pratica o jejum tem de compreender o jejum; isto é, tem de ter compaixão do homem que tem fome, se quer que Deus tenha compaixão da sua própria fome. Aquele que espera obter misericórdia tem de ter misericórdia; aquele que quer beneficiar da bondade tem de praticá-la; aquele que quer que lhe dêem tem de dar. […] Sê pois a norma da misericórdia a teu respeito: se queres que tenham misericórdia de ti de certa maneira, em certa medida, com tal prontidão, sê tu misericordioso com os outros com a mesma prontidão, a mesma medida e da mesma maneira.

A oração, a misericórdia e o jejum devem, pois, constituir uma unidade, para nos recomendarem diante de Deus, devem ser a nossa defesa, são uma oração a nosso favor com este triplo formato.»

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Quinta-feira depois das Cinzas - reflexão...


Papa Bento XVI Audiência geral de 21/02/07 (trad. DC 2376, p. 266 © Libreria Editrice Vaticana):

Aprender a "doar de novo"
o amor que Cristo
revelou na cruz


«Na minha mensagem para a Quaresma quis realçar o amor imenso que Deus tem por nós para que os cristãos de todas as comunidades possam deter-se espiritualmente, durante o tempo quaresmal, com Maria e João, o discípulo predilecto, ao lado d'Aquele que consumiu na Cruz pela humanidade o sacrifício da sua vida (cf. Jo 19, 25). Sim, queridos irmãos e irmãs, a Cruz é a revelação definitiva do amor e da misericórdia divina também para nós, homens e mulheres desta nossa época, muitas vezes distraídos por preocupações e interesses terrenos e momentâneos.

Deus é amor, e o seu amor é o segredo da nossa felicidade. Mas para entrar neste mistério de amor não há outro caminho a não ser o de nos perdermos, de nos doarmos, o caminho da Cruz. "Se alguém quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me" (Mc 8, 34). Eis por que a liturgia quaresmal, enquanto nos convida a reflectir e a rezar, nos estimula a valorizar em maior medida a plenitude e o sacrifício, para rejeitar o pecado e o mal e vencer o egoísmo e a indiferença. A oração, o jejum e a penitência, as obras de caridade para com os irmãos tornam-se assim caminhos espirituais a serem percorridos para regressar a Deus, em resposta às repetidas chamadas à conversão contidas também na liturgia hodierna (cf. Gl 2, 12-13; Mt 6, 16-18).

Queridos irmãos e irmãs, o período quaresmal, que hoje empreendemos... seja para todos uma renovada experiência do amor misericordioso de Cristo, que derramou na Cruz o seu sangue por nós. Coloquemo-nos docilmente na sua escola, para aprender a "doar de novo", por nossa vez, o seu amor ao próximo, especialmente a quantos sofrem e se encontram em dificuldade. É esta a missão de cada discípulo de Cristo.»

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2008

Quarta-feira de Cinzas - reflexão...


Papa Bento XVI, Audiência geral de 21/02/07 (trad. DC 2376, p. 266 © Libreria Editrice Vaticana):

A Quaresma, caminho para uma verdadeira liberdade

«Desde as origens a Quaresma é vivida como o tempo da preparação imediata para o Baptismo, a ser administrado solenemente durante a Vigília pascal. Toda a Quaresma é um caminho para este grande encontro com Cristo, esta imersão em Cristo e este renovamento da vida. Nós já somos baptizados, mas o Baptismo com frequência não é muito eficaz na nossa vida quotidiana. Por isso, também para nós a Quaresma é um renovado "catecumenado" no qual vamos de novo ao encontro do nosso Baptismo para o redescobrir e reviver em profundidade, para nos tornarmos de novo realmente cristãos. Portanto, a Quaresma é uma ocasião para "nos tornarmos de novo" cristãos, mediante um constante processo de mudança interior e de progresso no conhecimento e no amor de Cristo.

A conversão nunca é de uma vez para sempre, mas é um processo, um caminho interior de toda a nossa vida. Este itinerário de conversão evangélica certamente não pode limitar-se a um período particular do ano: é um caminho de cada dia, que deve abraçar toda a existência, todos os dias da nossa vida...

O que é converter-se, na realidade? Converter-se significa procurar Deus, estar com Deus, seguir docilmente os ensinamentos do seu Filho, de Jesus Cristo; converter-se não é um esforço para se auto-realizar a si mesmo, porque o ser humano não é o arquitecto do próprio destino eterno. Não fomos nós que nos fizemos. Por isso a auto-realização é uma contradição e é também demasiado pouco para nós. Temos um destino mais nobre. Poderíamos dizer que a conversão consiste precisamente em não se considerar "criadores" de si mesmos e assim descobrir a verdade, porque não somos autores de nós próprios. A conversão consiste em aceitar livremente e com amor de depender em tudo de Deus, o nosso verdadeiro Criador, de depender do amor. Esta não é uma dependência mas liberdade.»

Notícias da Igreja

A vinda de Jesus à Terra